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Na quadrada das águas perdidas

quadradaDentro do mesmo nome 
há desde grandes megalópoles como a cidade de São Paulo até o sertão nordestino, isolado e aparentemente inóspito, enquanto um olhar mais atento não revela a riqueza local.
 
É este olhar atento que os diretores Wagner Miranda e Marcos Carvalho nos oferecem, traduzido brilhantemente pelo sertanejo Olegário (Matheus Nachtergaele), que como em uma poesia sem palavras cruza o sertão feito um personagem de João Cabral de Melo Neto, apresentando com naturalidade as dificuldades e recompensas que a terra hostil tem a oferecer.
 
Munido de poucos bens materiais, Olegário deixa a casa de pau-a-pique na companhia de duas cabras, na carroça puxada pelo burro, com a escolta de um cão e sob o olhar simbólico do urubu, que parece segui-lo de perto.
 
Durante a peregrinação nordestina, 
famosa desde o clássico “Vidas Secas”, vemos o homem em comunhão com o meio que o cerca. Olegário se diferencia de Fabiano, o protagonista que Graciliano Ramos imortalizou, por ser ainda mais solitário e, consequentemente, ainda mais calado. O filme não tem diálogos, não tem monólogos, não tem palavras. Tudo é dito com imagens, com as cores vivas e quentes do sertão.
 
A serpente denunciando a morte; as tartarugas (ou algum parente próximo) anunciando a vida, que assim como as recém-saídas do ninho tende a ser lenta, porém resistente ao sol e à seca; a ave de rapina entre os dois extremos, a espreita de uma morte que lhe garanta a própria vida. São várias as metáforas que enriquecem a caminhada de Olegário, que entre guerras e pactos com o sertão, segue seu caminho obstinadamente.
 
Diante das dificuldades que parecem tornar a vida quase impossível, podemos ser tentados a pensar que aquela condição humana é inadmissível, sobretudo com a existência velada da chamada indústria da seca, que lucra e, portanto sustenta muitas daquelas dificuldades. Entretanto não é só com as recompensas que o sertão oferece ao nordestino que podemos encarar sua vida como muito mais natural que a vida urbana.
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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